Última estatal de telecomunicações do Brasil, Copel Telecom é privatizada

Imagem: Rawpixel, de envatoelements
Imagem: Rawpixel, de envatoelements

Nesta segunda-feira (09) foi privatizada aquela que era a última estatal de telecomunicações no Brasil: a Copel Telecom. O leilão da privatização - que ocorreu na sede do B3, em São Paulo - foi vencido pelo Fundo Bourdeax (representado pela corretora Planner), com um lance de R$ 2,39 bilhões.

Com quatro investidores disputando o certame, a empresa foi vendida com ágio de 70,94%, superando em quase R$ 1 bilhão o preço mínimo estipulado, que era de R$ 1,4 bilhão por 100% das ações. Na abertura dos envelopes, dois participantes ofereceram valor superior a R$ 2 bilhões, iniciando o leilão com ágio de mais de 50%.

Na disputa por viva voz entre a Bordeaux e a Algar Soluções, a diferença do valor arrematado com o mínimo previsto superou os 70%. O recurso arrecadado retornará ao caixa da Copel e vai ampliar os investimentos da estatal na distribuição, transmissão e geração sustentável de energia.

Liderança no mercado de fibra
A Copel Telecom possui 100% de sua tecnologia em fibra ótica e é líder deste mercado no Paraná. A subsidiária está presente nos 399 municípios do Estado, com 36 mil quilômetros de cabos que levam este tipo de internet banda larga a base de 170 mil clientes.

Com a desestatização, espera ganhar mais agilidade na disputa com seus concorrentes, além da possibilidade de oferecer novos serviços. Os contratos atuais da subsidiária serão respeitados, incluindo todos os firmados com o governo estadual do Paraná, que foram contratados em concorrência pública.

De acordo com o diretor-geral da subsidiária, Wendell Oliveira, o processo de venda deve ser finalizado até meados do ano que vem, depois de ser analisado por instituições como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ele também ressaltou que os funcionários da tele serão incorporados por outras empresas do grupo Copel.

“Este processo está sendo feito com muita responsabilidade e transparência, por se tratar de um ativo importante, da primeira privatização depois de tanto tempo, além de ser a última grande empresa de telecomunicação a ser privatizada”, explicou o executuvo. “Há ainda um caminho longo até processo de desembarque, que passa pela homologação de órgãos como a Cade e a Anatel até chegar à assinatura definitiva do contrato, a transferência das ações e o recebimento do valor de venda”, disse.

Foco na energia
Com o desinvestimento no setor de telecomunicações, a Copel passará a concentrar seus esforços nas áreas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, suas principais atividades. Com esse posicionamento, a companhia está se desfazendo de negócios fora do setor elétrico.

Em agosto, a estatal já tinha se desfeito de sua participação na Sercomtel, empresa de telecomunicações que opera em Londrina, no Norte do Estado, que também foi arrematada pelo Fundo Bordeaux. O próximo passo deve ser o desinvestimento na Compagás, empresa na qual a Copel detém 51% dos ativos. A distribuidora de gás canalizado conta com cerca de 47 mil clientes e 833 quilômetros de rede.

Segundo Daniel Slaviero, presidente da companhia, o objetivo da estatal é focar em projetos que garantam a eficiência energética aos seus 4,7 milhões de clientes. Para isso, a companhia tem feito, desde o início de 2019, investimentos anuais em torno de R$ 1 bilhão em redes de distribuição de energia.

“O sucesso deste leilão, que ficou acima da expectativa e trouxe grupos consolidados do mercado, é resultado da confiança, robustez e segurança jurídica que seguiu por todo o processo de privatização, que foi acompanhado pelos órgãos de controle”, declarou Slaviero. “Temos uma visão de futuro para as próximas décadas, com projetos para dar mais segurança ao sistema, ampliar a base de ativos da Copel e que sejam atrativos para aumentar os retornos aos nossos acionistas, clientes e consumidores”, disse.

O principal projeto da companhia na área é o Paraná Trifásico, que já instalou, neste ano, 2.500 quilômetros de linhas no Estado. Serão 25 mil quilômetros até 2025, em um investimento total superior a R$ 2 bilhões. O reforço no sistema traz mais estabilidade, principalmente nas áreas rurais, com foco nas agroindústrias e cadeias de produção.

Em janeiro, a Copel começa a implantar o programa Rede Elétrica Inteligente, cujo objetivo é que tornar o sistema da companhia mais moderno e seguro. Na primeira etapa, serão investidos R$ 820 milhões para atender um terço dos clientes da estatal, que representam cerca de 1,5 milhão de unidades consumidoras.

Outras privatizações
Presente no leilão, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, afirmou que o bom resultado demonstra a solidez da companhia e o processo de transparência que acompanhou a privatização, a primeira em 20 anos no estado. “Este é um dia importante e emblemático para o Paraná, que depois de 20 anos retoma, com credibilidade e transparência, a privatização de parte de seus ativos”, afirmou.

O político destaca que o Estado prepara leilões de outros setores, como o de gás, aeroportos, pátios veiculares e concessão de rodovias. “É o pontapé de um grande pacote de modernização do Estado, que trouxe ao mercado uma empresa redonda, dentro de um setor competitivo como é o de telecomunicações”, salientou ele logo após o leilão da Copel Telecom.

“Este processo também representa uma grande oportunidade para a Copel, que passará a cumprir sua vocação e modernizar as áreas de geração, transmissão e distribuição de energia, para dar mais qualidade à energia que chega aos consumidores, seja no campo ou na cidade”, destacou Ratinho Junior “A companhia se fortalece como uma das principais empresas do setor elétrico da América Latina”, afirmou.

O leilão de privatização da Copel Telecom teve a presença dos presidentes do Conselho de Administração da Copel, Marcel Malczewski; do Conselho Diretor da Anatel, Leonardo Euler; o diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval de Araújo Feitosa; e os diretores-presidentes da Invest Paraná, Eduardo Bekin; e da Compagas, Rafael Lamastra.

Fonte: CanalTech, com informações da Agência de Notícias do Paraná

Pesquisar